domingo, fevereiro 10, 2008
Simples
Refletiram no chão.
Aquela jaqueta coube
Em duas pessoas
Mais longe, uma garrafa de vinho
Serviu para noite toda
Encostado no carro...
Receios de um olhar confuso
E no fundo
Queríamos só um lugar seguro
Para sentar-se
Bom... E no dia que foi o seguinte
Tudo começou em teatro.
E de degrau em degrau
Degrau em degrau
O chão se perdeu.
Coerência de subliminares atos
Tornavam-se explícitos
Simplesmente
Depois de um sorriso
Não sei mais o que dizer. Não sei mais o que escrever. Chego até a não saber o que pensar. Parece simples desse jeito, mas nem é.
Tudo faz parte de uma questão de afinidade, daquela pessoa chave que circunda o seu meio. E ao mesmo tempo em que meche com a sua cabeça, faz você sentir algo.
Então paro... Respiro fundo e abro um sorriso, por que na verdade, fico feliz de saber que ainda posso sentir algo.
Simplesmente isso. Não sei mais o que fazer. Gostaria de escrever sentimentos mil por aqui, mas não dá.
O cubo mágico, para mim, começou a ficar simples. Quem dera que fosse apenas um livro de colorir. Mas não sei se teria graça se fosse tão fácil assim.
Se pelo menos eu tivesse sido um pouco mais subliminar.
Gostaria de explicar em palavras, mas não tenho mais palavras... Talvez eu precise ouvir.
Ok.
terça-feira, novembro 27, 2007
Zumbindo Da Rua.
Quando uma pequena abelha
Voou sobre minha cabeça
Enquanto tomava meu café na cozinha
Zuniu e pousou por todo canto pousavel...
E após analisá-la bem
Levantei-me e a segurei dentro de um copo
Com um pano sobre minha mão
Para que ela, assustada, não deixasse metade de seu estomago em minha mão
A levei até as plantas de meu jardim
Percebi então
Que se tratava de uma abelha velha
Então a pus ao sol da manha.
E fiquei com ela como fico com a minha avó
Não voou nem
Ficou refletindo pensamentos de abelha
No fim de seus dias dourados
Com olhinhos brilhosos do sol refletido
E seus pelos já grandes...
Ai, ai... Deu vontade de conversar com ela
Mas ela parecia cansada, e não queria conversa
Deixei-a lá, sozinha.
Voltei para minha cozinha
E deixei o copo na pia.
Pois pensei que o copo estaria sujo...
Não por ela ter vindo de fora
Mas por ela ter voado em minha cozinha.
quarta-feira, outubro 31, 2007
Carta Marcada
E simplesmente.
A simples mente
Viu-se surpreendida.
De rostos próximos
Que formam cálices
Transbordados
De vinho e sabedoria
De um suspiro.
Vai-se da loucura à sanidade.
Da intensidade
Destrói-se a realidade.
Simples mente, mente.
Mente Mentiras de mentirinhas
De pernas de pau
Até minha paciência na cozinha
Foi quando a personagem
Interpretou o ator
Da saga da dama
Das canções, dor.
Das notas dissonantes
Inicia-se certa harmonia
Do olhar - instante
Da percussão e o sopro
Na umbra do quarto
Teu rosto
Sobrevivi, graças ao teu ar
Sobre-vivi com você
No apartamento 21
Quando percebi
A vontade guiou minhas pernas
Que seguiram infinitas escadas
E subi.
Assim como se toca o espírito
Através da carne
E as armas
Não existiam mais.
Assim como
O monocromático
Tombado para trás.
Eu pequei
Tu pecaste
Ele pecou
Agora tanto faz.
De bobeiras sussurradas
Ao pé de ouvido
De grandes filosofias bizarras
Faladas baixinho.
A epopéia do sátiro e uma ninfa
Harpas, launge e Citaras.
E alguém ouviu a explosão
De Duas almas se chocarem
Abraço, enlace e sou todo ouvidos
Colo, beijo, afago.
E o beijo faz
Os devaneios se calarem
O mundo se calou.
Deus respeitou.
A madrugada se orgulhou
A lua invejou
Nós.
E jogada no ar.
A dança
Das cócegas
Gargalhadas de criança
Numa simetria perfeita
Quando o sol surgiu
Em uma luz constante mente
Intensa
Liguei a cachoeira e parti
Removemos
Restos de tapete persa
Re-movemos nossas vidas
O sol teimou em surgir
As portas teimaram em abrir
Até um ultimo Momento
Você aqui.
Até o ultimo trago
O dia e um Motivo Claro.
Amei de uma maneira
Que durante uma noite inteira
Nunca irei
Amar alguém.
5 segundos para dizer...
quinta-feira, outubro 25, 2007
E Chove.
Sentemos lado a lado e observemos a chuva que dança com o vento no quintal. Repare nas gotículas de água que se chocam no vidro, e deslizam como bailarinas até seu destino.
As nuvens escureceram a sala, mas, não ligue as luzes... Perceba a penumbra misteriosa que envolve as cores, tons de cinza circundam os cantos.
Ascendi à lareira ao nosso lado, desse modo, ficamos brilhando em tons avermelhados oscilantes do fogo que dança junto a chuva.
Esta escutando esse trepidar do fogo? É ele agradecendo ao frio por poder ser útil, nos esquentando, um acordo entre os opostos.
E nossas duvidas, e os nossos medos, nesta tarde, dão uma trégua. A chuva não traz apenas tristeza, e dias de sol não trazem necessariamente alegria. Nós nos fazemos de todo um modo, dando um tempo ao tempo.
A sua companhia aqui do meu lado, é muito agradável. Eu agradeço a você por poder desfrutar isso comigo.
E a chuva fica um pouco mais forte, é como se ninguém a estivesse vendo, ela dança sem pensar, ela existe para ela agora e faz a sua parte no mundo.
Assim como eu e você. Eu existo para você agora e você pra mim e o mundo para nós. E fazemos assim parte de um todo magnífico.
Não, a solidão não é triste. Todos nós somos solitários por sermos únicos no mundo. E logo, não nos sentimos tão sozinhos por existir tanta gente se sentindo assim. È isso, todos nós somos uma parte única que monta um universo transcendente. Todo para qual tem seu objetivo.
Segure a minha mão. Olhe-me nos olhos. Tudo vai dar certo. Abrace-me. Beije-me os lábios.
E fiquemos assim, imóveis, agora, como parte pensante do ambiente. Nossos corpos agora se fundiram com um todo. E nossas mentes se misturam com a chuva. E aliados do silencio, nessa tarde esquecida no calendário. Prometemos um para o outro que nossos dias não serão mais esquecidos.
Vamos sempre guardar lembranças das nossas frações de vida em dias aparentemente perdidos.
Fique aqui comigo por mais alguns minutos. Amanha haverá um mundo lá fora lhe chamando para a guerra. Descanse por ora.
E aprenda hoje com a chuva, a fazer sua parte, seja em qualquer tempestade e a dançar conforme a musica. A musica dissonante que o mundo rege. E a sua mais perfeita melodia composta, aquela que você segue, quando rege o teu sonho.
sexta-feira, setembro 28, 2007
Templo Passado
Vai se passando assim pelas ruas até.
De frente pro templo, tempo passado.
Passando pelas velhas coisas no velho quarto
Deixando a mão sobre a mobília empoeirada
Enquanto passa.
A poeira que dança sincronizada
Que pelo feixe de sol, localizada
A luz que entra, por que entra.
Por que a janela esta aberta
E não teria como ela não estar ali
Está lá sentindo que apenas esta
Fazendo seu trabalho...
Em mais um canto da casa, tarde.
A poeira fica nos dedos.
Nos retratos na cabeceira
Nas batentes, nos momentos
Os passos lentos que fazem
O pó levitar.
Do chão ao teto.
No olhar atento
Sobre coisas passadas
Da antiga casa
Porta, janela, rádio. Deitados no sofá
Vendo o mundo passar
Em pequenos beijos particulares.
Sussurros.
Sala, vasos, quadros,
Em uma disposição engraçada.
Tapete, lâmpada, manchas, juntos no corredor.
Abraço.
Terra, rua, quintal, corrida na chuva.
Mãos seguradas.
Sorrisos.
Sol, parede, janela fechada
Escuro no quarto, dia lá fora.
Segredos.
O feixe de sol, alerta que já é dia.
Mas respeita com a cara encostada
Na janela fechada, de tarde...
...demais.
Sala, chave, caixas cheias lacradas.
Porta fechada, portão entre aberto
Pegadas de lembranças pra fora.
Casa vazia.
Rumos distintos.
Vai se passando pela rua
De costas pro templo, tempo passado.
Lagrimas.