domingo, setembro 25, 2011

Salto Profundo

Salto Profundo
Entre o sentimento
Sem vastidão de olhares

Um suspiro aqui dentro

Quer dizer que
Só é
Maior que todo o resto

E complexamente simples
Ao mesmo tempo

Sujeito oculto
Do verbo transitivo
Indireto

Suas pistas ficam
Nas fases da lua

Quando gira o Mundo
Você para no centro

Com um sorriso tão ligeiro
Quanto à próxima noite, dizendo

Tudo bem;
Vai dar tudo certo.



quinta-feira, setembro 01, 2011

revira][volta

Como é bom sorrir
Mesmo não sabendo
Se vai ou se fica

Roda no caos daqui
E também no caos dali

Não perde o passo

Que o passo perdido
é o nosso improviso


De uma idéia de estada
Com o sonho estrada

Coleciona
dor

De suspiros
Seguidos de sorriso

Enquanto o sol entra
Pela janela e lembra

Dos nossos segredos



quarta-feira, agosto 17, 2011

Cem Titulos.

Em alguns minutos o trem já estaria partindo e, como de costume, ele estava atrasado. Pulava apenas com um pé no chão, enquanto tentava calçar o outro sapato. Segurava com a cabeça, um celular no ombro, que apenas dava um sinal monótono de uma chamada não respondida.

Jogou o celular em um canto e correu para procurar uma camiseta decente. Olhou o relógio mais uma vez e percebeu que não tinha passado tanto tempo assim; ainda era possível tomar um café.

Na cozinha, tentou chamar novamente, mas o toque monótono repetiu-se em sua orelha. Devido a este fato, ficou indeciso se deveria ir e milhares de coisas brotaram em seus pensamentos.

Deu de ombros. Olhou o relógio e terminou de tomar seu café rapidamente. Correu para o banheiro lavar seus dentes, mas não antes de se perder pela bagunça do quarto, procurando sua carteira e sua chave.

Bateu a porta de casa e correu pela calçada desviando de velhinhas de todos os tipos. Como numa corrida de obstáculos, pulava por cima dos canteiros, mendigos e bancos. Desviava com maestria dos transeuntes distraídos.

Aquele caminho que sempre fazia caminhando tranqüilo e prestando atenção nos detalhes, agora, se tornava apenas reflexos de sua visão periférica e na elaboração de seus passos por obstáculos vistos com antecedência.

Sentiu o celular vibrar em sua perna e logo em seguida um som indicando que acabara de receber uma mensagem. Enfiou a mão no bolso sem parar de correr.

Atravessou a rua congestionada. Sua atenção dividida com o celular o fez chocar-se com uma moto que vinha rápido por entre os carros, arremessando corpo para um lado celular para outro. Moto pra de baixo do carro e o motoqueiro torto.
Os motoristas que estavam na frente do acidente, acharam-se com sorte e saíram dali assim que foi possível. Os que estavam atrás não acreditavam que teriam mais transito.

Poucos saíram do carro, preocupados com o que havia acontecido.Mas a maioria dos pedestres parou para ver o incidente. O motoqueiro já se levantava um pouco atordoado, mas por entre os carros havia uma pessoa desacordada e ainda por cima atrasada.

O celular caiu ali bem perto do meio fio, onde estava parada uma mulher curiosa segurando a mão de sua filha. A criança conseguiu desvencilhar-se facilmente de sua mãe distraída e pegou o celular.

O visor um pouco arranhado mostrava a mensagem:

“Acabei de ver suas ligações. Ñ adianta. Não há nada que vc possa fzr, irei embarcar nesse trem de qualquer jeito. Espero que fique bem, te amo.







sexta-feira, agosto 12, 2011

Chiado

O sol palido e quente
de um inverno no século vinte e um

o sagrado horário humano
quando reunem-se para comer

Chamam de almoço
Ou intervalo do trabalho

cada ponto de vida
Santa e torta em cada esquina

Esconde no dia
os milagrosos pensamentos
De pecado

Que martírio
Os céus estão fechados

Nas ruas sinuosas
e olhares estudantis


Deformados velhos simpáticos
arrastando seus pés cansados

Com seus assobios
e suas gaitas

Melodia dentro do ruido
Do papo alto desinteressado

Do ronco surdo dos motores
E qualquer tipo de carro ligado

Que dia claro como numa T.V Antiga
E os barulhos feito um chiado de radio

Chia
O mundo chia baixinho

Os ventos trazem respostas
Que não queremos encontrar

Então damos as mãos
Pagamos pela cerveja e pelo ônibus
E fugimos das perguntas certas

No sol palido e quente
De um inverno de lugar nenhum


Sarro

Recebeu ofertas de felicidade por todos os lados
Em todo canto cartazes tortos
Risadas mudas
Sorrisos perfeitos

Trincando os dentes num pedaço de calçada

Em cada detalhe mudo
Um pouco de tudo e mais um pouco de nada
O caminho exemplar

O ser ideal
O orgulho do papai
O queridinho da mamãe
Um exemplo de civil

E os andares tortos
Os braços girando
A musica

E a risada muda

Ela é vil

Mas é apenas um detalhe sórdido

Da risada e tira um sarro

Leva a mão até a boca suja
Bate uma e cumprimenta o aliado