sexta-feira, setembro 28, 2007
Templo Passado
Vai se passando assim pelas ruas até.
De frente pro templo, tempo passado.
Passando pelas velhas coisas no velho quarto
Deixando a mão sobre a mobília empoeirada
Enquanto passa.
A poeira que dança sincronizada
Que pelo feixe de sol, localizada
A luz que entra, por que entra.
Por que a janela esta aberta
E não teria como ela não estar ali
Está lá sentindo que apenas esta
Fazendo seu trabalho...
Em mais um canto da casa, tarde.
A poeira fica nos dedos.
Nos retratos na cabeceira
Nas batentes, nos momentos
Os passos lentos que fazem
O pó levitar.
Do chão ao teto.
No olhar atento
Sobre coisas passadas
Da antiga casa
Porta, janela, rádio. Deitados no sofá
Vendo o mundo passar
Em pequenos beijos particulares.
Sussurros.
Sala, vasos, quadros,
Em uma disposição engraçada.
Tapete, lâmpada, manchas, juntos no corredor.
Abraço.
Terra, rua, quintal, corrida na chuva.
Mãos seguradas.
Sorrisos.
Sol, parede, janela fechada
Escuro no quarto, dia lá fora.
Segredos.
O feixe de sol, alerta que já é dia.
Mas respeita com a cara encostada
Na janela fechada, de tarde...
...demais.
Sala, chave, caixas cheias lacradas.
Porta fechada, portão entre aberto
Pegadas de lembranças pra fora.
Casa vazia.
Rumos distintos.
Vai se passando pela rua
De costas pro templo, tempo passado.
Lagrimas.
quinta-feira, agosto 23, 2007
Queda ao céu
Nas margens de um templo
De um reino esquecido
As mãos voltadas ao céu
Ensandecidas
Olhar vibrante do coração
Inebria o caminho
De um tiro ao espaço
Atiro-me as rochas
Vagas, as sereias vagantes
Entre descrenças de um mundo
Entre dor e prazer de uma queda
No fundo das águas
Profundezas da incompreensão.
Subo aos céus.
E olho de baixo a cima
De cima a baixo
Por traz da estrutura construída
Amor e crença
Pecado e perdão
Dor e estases de felicidade
Entre o sangue do meu corpo
Misturam-se nele, águas e estrelas.
Acho que vi Ismalia sorrindo
Viro ar, viro terra, alimento, pedra
Água e calor, combustível, fóssil, torpor
Entre reinos esquecidos
Ergo as mãos ensandecidas
E clamo por perdão da vida
De quem ainda está adormecido.
De um reino esquecido
As mãos voltadas ao céu
Ensandecidas
Olhar vibrante do coração
Inebria o caminho
De um tiro ao espaço
Atiro-me as rochas
Vagas, as sereias vagantes
Entre descrenças de um mundo
Entre dor e prazer de uma queda
No fundo das águas
Profundezas da incompreensão.
Subo aos céus.
E olho de baixo a cima
De cima a baixo
Por traz da estrutura construída
Amor e crença
Pecado e perdão
Dor e estases de felicidade
Entre o sangue do meu corpo
Misturam-se nele, águas e estrelas.
Acho que vi Ismalia sorrindo
Viro ar, viro terra, alimento, pedra
Água e calor, combustível, fóssil, torpor
Entre reinos esquecidos
Ergo as mãos ensandecidas
E clamo por perdão da vida
De quem ainda está adormecido.
quinta-feira, agosto 16, 2007
Alheio
Há dias em que me torno alheio a tudo, ao espaço e a falta dele. Exilados dos sensos básicos de noções existenciais.
Alheio as igrejas que na frente passo. Alheio as lojas que vende roupas e sapatos, distante dos carros e maquinas e de olhares gananciosos.
Desligado do material e do espiritual, pois é como se minha alma , entediada do meu corpo, saísse para dar uma volta.
Não vejo sentido nenhum entre beleza ou feiúra, corrupção ou honestidade, boas roupas ou trapos, ou mesmo nos modos das pessoas.
Mesmo que a cada instante todas as pessoas estejam fazendo pequenas escolhas, mesmo todas as pessoas tendo suas diferenças e preferências, nesse dias, diante de tudo isso, a única coisa que sinto, é toda uma indiferença.
Passam-me inertes olhares intencionados, amizades, sorrisos, lagrimas, besteiras, péssimas manias, covardia ou coragem. Vez ou outra nesses dias ,quando alguém consegue dirigir a palavra para meu corpo, eu não respondo, não consigo e não me esforço para poder responder. Desinibidas ou desconcertadas que as pessoas fiquem ,eu não ligo.
Indiferente diante do dia e da noite, do sol e da chuva. Se o vento derruba folhas ou arvores, levanta sementes ou telhas. Se o mundo vai superaquecer ou se quebrar em duas partes.
Vejo-me livre de crenças, dogmas, filosofias, artes, pensamentos, pecado ou perdão.
Alheio aos sentimentos, alheio ao amor e a raça.
Não faz pra mim nenhum sentido a imagem de Deus ou a imagem do Diabo.
Se os rios correm ou param as mentes, se matam baleias ou se matam inocentes.
Que toque a musica ou não, pois nem o silencio me toca.
Boiando, pairando, de olhos abertos diante da pobreza imensa ou a riqueza contrastante.
Morte ou vida. Estamos sonhando? Isso tudo é real? Não ligo para nada disso. Não vejo mistérios e nem vejo motivos em nada obvio. Grandes mensagens, grandes mentes, ídolos mundiais, nacionais, santos ou macumbas.
Da opressão a revolução, causas nobres e distintas.
Não dou a mínima entre uma moça de família ou uma prostituta.
Entre dominante e dominado, um cão ou pessoas com boa cabeça e cultas.
Faz sentindo nenhum tudo isso, e nem posso dizer se está tudo certo ou tudo errado, pois, nessas horas, eu nem quero saber.
Proporciona-me um olhar sem poesia, sem curiosidade por falta de interesse, sem compaixão, sem tardes amanteigadas pelo sol.
Mesmo assim, existe muita poesia em não ter poesia.
Nada me deixa triste, nada me deixa feliz, nada me faz sorrir ou chorar. Não tenho preguiça e nem tenho animo.
A falta de, não significa, ter o oposto do que não sinto, do que não tenho, do que não vi.
Não ei de odiar só por que não amo. Simplesmente me vejo alheio a isso, só isso. Ao universo. Não me sinto alienado nem atento a nada.
Vejo daqui, o que todos chamam de infinito. Ali está o infinito e o universo e aqui estou eu. Não faço, hoje, parte do ciclo.
Recosto-me em algum lugar, e ligo meu cigarro de fumaça.
Sinto-me sentindo algo.
È o meu espanto a importância que dou ao fato... Ao fato... De não me importar com nada.
Contemplo então, seguro de não ser humano esses dias, o frágil pedestal envolto de infinitos pensamentos humanos, e deuses criados por vocês, onde sua consciência e existência estão, delicadamente, apoiadas.
Alheio as igrejas que na frente passo. Alheio as lojas que vende roupas e sapatos, distante dos carros e maquinas e de olhares gananciosos.
Desligado do material e do espiritual, pois é como se minha alma , entediada do meu corpo, saísse para dar uma volta.
Não vejo sentido nenhum entre beleza ou feiúra, corrupção ou honestidade, boas roupas ou trapos, ou mesmo nos modos das pessoas.
Mesmo que a cada instante todas as pessoas estejam fazendo pequenas escolhas, mesmo todas as pessoas tendo suas diferenças e preferências, nesse dias, diante de tudo isso, a única coisa que sinto, é toda uma indiferença.
Passam-me inertes olhares intencionados, amizades, sorrisos, lagrimas, besteiras, péssimas manias, covardia ou coragem. Vez ou outra nesses dias ,quando alguém consegue dirigir a palavra para meu corpo, eu não respondo, não consigo e não me esforço para poder responder. Desinibidas ou desconcertadas que as pessoas fiquem ,eu não ligo.
Indiferente diante do dia e da noite, do sol e da chuva. Se o vento derruba folhas ou arvores, levanta sementes ou telhas. Se o mundo vai superaquecer ou se quebrar em duas partes.
Vejo-me livre de crenças, dogmas, filosofias, artes, pensamentos, pecado ou perdão.
Alheio aos sentimentos, alheio ao amor e a raça.
Não faz pra mim nenhum sentido a imagem de Deus ou a imagem do Diabo.
Se os rios correm ou param as mentes, se matam baleias ou se matam inocentes.
Que toque a musica ou não, pois nem o silencio me toca.
Boiando, pairando, de olhos abertos diante da pobreza imensa ou a riqueza contrastante.
Morte ou vida. Estamos sonhando? Isso tudo é real? Não ligo para nada disso. Não vejo mistérios e nem vejo motivos em nada obvio. Grandes mensagens, grandes mentes, ídolos mundiais, nacionais, santos ou macumbas.
Da opressão a revolução, causas nobres e distintas.
Não dou a mínima entre uma moça de família ou uma prostituta.
Entre dominante e dominado, um cão ou pessoas com boa cabeça e cultas.
Faz sentindo nenhum tudo isso, e nem posso dizer se está tudo certo ou tudo errado, pois, nessas horas, eu nem quero saber.
Proporciona-me um olhar sem poesia, sem curiosidade por falta de interesse, sem compaixão, sem tardes amanteigadas pelo sol.
Mesmo assim, existe muita poesia em não ter poesia.
Nada me deixa triste, nada me deixa feliz, nada me faz sorrir ou chorar. Não tenho preguiça e nem tenho animo.
A falta de, não significa, ter o oposto do que não sinto, do que não tenho, do que não vi.
Não ei de odiar só por que não amo. Simplesmente me vejo alheio a isso, só isso. Ao universo. Não me sinto alienado nem atento a nada.
Vejo daqui, o que todos chamam de infinito. Ali está o infinito e o universo e aqui estou eu. Não faço, hoje, parte do ciclo.
Recosto-me em algum lugar, e ligo meu cigarro de fumaça.
Sinto-me sentindo algo.
È o meu espanto a importância que dou ao fato... Ao fato... De não me importar com nada.
Contemplo então, seguro de não ser humano esses dias, o frágil pedestal envolto de infinitos pensamentos humanos, e deuses criados por vocês, onde sua consciência e existência estão, delicadamente, apoiadas.
quarta-feira, agosto 08, 2007
Ravior Rimbaund Beleare
Dispara tiros mudos no restaurante, sobre a acústica ressonante de uma opera.
Gritos vazios sem som, e corpos tombando, sobre mesas fartas de comidas caras.
Apenas a opera em cena musical. Regozijos de dor eram nulos.
Ravior frio como os pólos, busca a cozinha.
O espanto paralisante do cozinheiro francês, inerte, sentindo a bala trespassando seu coração. As duas pequenas ajudantes choram e gritam, em companhia da cantora de opera, tudo tão lento e triste. Tentam em vão correr o mais rápido que podem, em busca de um lugar seguro. Mas não existe lugar seguro para Ravior.
Seus corpos caem no chão com murmúrios de vida e anseios não realizados, pois a partir daquele momento, os anjos a buscam soprando trombetas.
Ravior, por um momento, para, pra apreciar as trombetas tristes da opera.
Ajeita elegantemente seu terno com riscas vermelhas, e abaixa seu chapéu, guarda a sua arma.
Após acertar seus óculos, Ravior deixa claro.
Não deviam regular o queijo, os deliciosos queijos para o macarrão.
Gritos vazios sem som, e corpos tombando, sobre mesas fartas de comidas caras.
Apenas a opera em cena musical. Regozijos de dor eram nulos.
Ravior frio como os pólos, busca a cozinha.
O espanto paralisante do cozinheiro francês, inerte, sentindo a bala trespassando seu coração. As duas pequenas ajudantes choram e gritam, em companhia da cantora de opera, tudo tão lento e triste. Tentam em vão correr o mais rápido que podem, em busca de um lugar seguro. Mas não existe lugar seguro para Ravior.
Seus corpos caem no chão com murmúrios de vida e anseios não realizados, pois a partir daquele momento, os anjos a buscam soprando trombetas.
Ravior, por um momento, para, pra apreciar as trombetas tristes da opera.
Ajeita elegantemente seu terno com riscas vermelhas, e abaixa seu chapéu, guarda a sua arma.
Após acertar seus óculos, Ravior deixa claro.
Não deviam regular o queijo, os deliciosos queijos para o macarrão.
segunda-feira, agosto 06, 2007
Menina dos Olhos
"Oi Menina"
E ela respondeu com um sorriso
E devolvi o sorriso em dobro.
Menina, dos olhos.
Café na cama. Passos por ilhas.
Bares e vertigens, amor ébrio.
Beijos arriscados, fantasia.
Para ela. Paralelas. Poesia.
Só, que.
Uma fração, de incoerência.
Receios falhos
Menina dos olhos
De um poeta.
E partir, sem dar a chance de um futuro.
"Adeus menina."
E ela me respondeu com lagrimas.
E devolvi com lagrimas em dobro.
E ela respondeu com um sorriso
E devolvi o sorriso em dobro.
Menina, dos olhos.
Café na cama. Passos por ilhas.
Bares e vertigens, amor ébrio.
Beijos arriscados, fantasia.
Para ela. Paralelas. Poesia.
Só, que.
Uma fração, de incoerência.
Receios falhos
Menina dos olhos
De um poeta.
E partir, sem dar a chance de um futuro.
"Adeus menina."
E ela me respondeu com lagrimas.
E devolvi com lagrimas em dobro.
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