quinta-feira, julho 31, 2008

Na ponta dos dedos

Em uma fração de melancolia abstrata
A visão, tão irônica
Como as pontas dos meus dedos...
Segurando o cigarro
Quando o som do trago ta tranqüilidade
Ao meio de tanto caos
Tantos caos, aos olhos
Quantas cinzas do cinzeiro amargo

Olhos vertigem, sorriso
Olhos conformados

Satisfeito do que esta absorvendo
E chamando de realidade

Ao meio de tantas loucuras

Boca cheia de palavras
Não ditas

E tão vazias de ofensas
Ditas

Ditando a regra da vida
Para um escrivão embriagado

Batendo a cinza da vida
Tão irônica quanto a ponta dos dedos
Em uma urna de ouro
Carregada de derrotas e conquistas.

sábado, maio 10, 2008

Barragem

Os picos das montanhas
Fazem amor com as nuvens e os céus
Entre espasmos e delírios de prazer
Goza aos litros
Nascente dos rios

Escorre sobre a pele da terra
Encontra vidas e pedras
Que não atravanca seu caminho
Com isso deixa-o mais belo

Acaricia a superfície e faz
O planeta gemer em arrepios

Desliza pela espinha do mundo

Toma força
E faz
Tremer de amor o mar
Os picos ainda gozam aos litros
Sem interromper nenhum ciclo

Sobe aos céus
E alimenta o manancial
A barragem do homem
Impede de encontrar todo potencial

Retém os espasmos e vontades naturais

Os pés pesados no pedal
Aceleram até a barriga esfriar
Você me faz ir
Até as ultimas consequências

Destruir barragens, continuar
Ninguém pode dominar o rio, céu e o mar

As últimas consequências
Fazem-me continuar.

terça-feira, maio 06, 2008

Atenção, esse texto contém spoiler.

Você sabe onde me encontrar, do contrario, deixa que eu encontre você.

Sabe não me sinto em um filme de ação, ou num romance, drama sei lá.
É diferente quando você não vê com olhos de narrador. È tanta merda que influencia a cabeça, que às vezes acho que, certas atitudes não seriam tomadas em outras circunstancias.
Mas afinal, a vida é mesmo um grande espetáculo, que se torna um fracasso, quando você percebe que esta sendo assistido, e tenta agradar a platéia.
Vejam só, aquele banco vazio, aquela pessoa não veio. Olhe o outro, aquela pessoa está saindo. E é assim...

Tem gente que diz o contrario que nega até o fim, que essa coisa de espetáculo é besteira.
Mas não cheguei a pensar nisso, olhando-me no espelho. Mas vendo-me em certos momentos como parte da platéia.
E a peça que assistia era minha vida.

Todo mundo estréia sua vida, à deixa em cartaz, nem que for para uma pessoa.

Bom, na verdade, você pode não saber onde me encontrar, e olhe que não é lá tão difícil, mas não vai fazer diferença, pois é provável que eu também não te encontre.

Falando em platéia, estava revendo algumas cenas do meu filme de estréia particular. Era sobre um cavaleiro medieval vivendo nos dias de hoje.
Eu ri da parte que, quando ele foi tirar a armadura, uma personagem lá sem querer deu uma pancada nele. Mas ele revelou um peitoral de aço escondido, que ele tinha disfarçado por baixo da camiseta só pra ter certeza.
Convencido que era melhor do outro jeito, voltou a usar a armadura completa.

Engraçado, a armadura dele não era bonita, mas era bem lustrada, algumas pessoas só gostavam dela por que viam o próprio reflexo.

terça-feira, abril 29, 2008

Preparo

Preparo-me
Tomo um banho
Escolho uma boa roupa

Chego até a ficar ansioso

Passo perfume
Ensaio um sorriso no espelho
Enquanto penteio os cabelos

Ajeito-me todo

Finalmente
Arrumo a mesa de jantar

Acendo a vela
Arrumo meu caderno

Meticulosamente
Escolho uma caneta

È chegado o momento
Ponho-me a escrever

Hoje não fui
Hoje ela não vem

quinta-feira, abril 24, 2008

Sistema nervoso sintético


Sistema nervoso sintético
Vida teórica indescritível

A vida feita em mais um acorde

Fama sucesso dinheiro
Em baixo da cachoeira do banheiro
Cenas feitas refeitas
Cabeça em cima de um travesseiro

Sistema nervoso sintético
Veias, fios, cabeça e trilho

Errar de novo por gosto
Aprender
A prender o fôlego

Não estatize nossas vidas
Não programe autodestruição

Frio metal, passos olhar
Nuvens vêm e vão
A gente fica

Fique aqui pra arrumar
A bagunça dentro da minha cabeça

Reflexo some sem pistas
Sem espelho ou vergonha

Reflexos se vão
A gente fica

Sentado no banco, café, cigarro e apatia
Projetos de um futuro passado

Dependência externa de prazer
Depender do mundo pra viver
Mas ele depende mais de você

Derramar emoções
Em cima do computador
Estranho não usar
Lápis nem apontador

Sistema nervoso sintético
Simulação de sentimentos mil