quarta-feira, maio 06, 2009

Simetrico

As cadeiras simétricas
Que desencadeai metros
Em padrões de miragem

A Alma frenética
Em transe discreto
Nos catetos do teto

Tanto toque
Quanta a retórica
E o agrave do beijo
O corpo estático

O ângulo Agudo da vaidade
Os labios se travam na face

Seus braços se entregam de perto
As pernas se entrelaçam no ego
O espírito se encharca na pratica

Os olhos se retiram da orbita
Os dedos retraem-se no lençol

A carne da metade da discórdia
Entrando em caso com a razão

Entre delírios e suspiros
Tanto contexto e alivio
E o retorno da visão

O corpo em pedaços
O espírito impecável
E as pupilas
Dilatam-se no pecado

Do antes em flertes com o presente
E as simetrias que insinuam interesse

Entre o descaso com o estado do mundo
Realidade trincada em atos
Do prazer e a indiferença de tudo.


quarta-feira, março 11, 2009

Construções III

Sol, vento
Chuva La longe
Arco-íris aqui perto

Rua, calçada, poste
Buraco, possa, lixeira
Placa, faixa e farol

Espera
Carro, moto com pressa
Espera

Faixa
Carro rosnando do lado
Gente vindo de frente
Esquiva
Calçada, passos em alerta
Trovão que anuncia

Claridade de nuvem escura
Sol na montanha lá longe

Um pingo na cara
Outro no braço

Gota por gora
Passo por passo

Passos leve
Chuva pesada

Gente correndo
Guarda-chuva armado

Carros com pára-brisas ligados

Trovão que retorna
Toldo lotado
Altos murmúrios isolados

Possas no chão

Bueiros gargarejando
Meio fio desgovernado

Cães ligeiramente indiferentes

Pés molhados
Roupa encharcada

Água feito chuva
Pessoas feito açúcar

Espera
Luz que retorna de leve
Espera

Calma nas ruas
Gente andando

Ar úmido
Chão de asfalto molhado
Primeira estrela desponta

Restos de nuvens cansadas
Sol da tarde manchado
Em céu de Picasso


terça-feira, março 03, 2009

Construções II


Flores com sono
campo com vento
Morro em silencio
Casebre e varanda

Arvore cantando
Criança correndo
Formigueiro em alerta
Rio que sustenta

Manhã de bruma
Tarde de sol
Noite de umbra
Cama e lençol

Café na mesa
Corpo e batente
Silhueta nos olhos
Tom de amarelo

Som de outono
Janelas com vento
Cortina que dança
Sala, sofa
Luz de manteiga

Boca de beijo
Abraço de corpo

Corpo na grama
Grama nos pés
Equilibrio na fonte

Dia entardecer
Tarde Anoitecer

Passaro voltando
Luz acesa
Começo de noite

Porta fechada
Luz pra sacada

Pés descalços, vinho e tapete.

De perto musica ambiente
de longe
Um Silencio engraçado.


quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Construções

Noite, verão , chuva
luz,relâmpago,sorriso
bebidas,cigarros,vácuo

vida,idéia,varanda
vestido vermelho, ponta
musica,grama, lua

madrugada, manhã
garrafas quebradas
violão cantando sozinho

passos,trilhas e margens
despedida ébria
beijo instigado
abraço engraçado
sentimento com vírgula
gargalhada com eco


segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Tradições

As velhas danças
As velhas notas
Daquela mesma canção

As anedotas
Mesmas palavras
Para sussurrar baixinho
Ao lado do berço
Do leito

As velhas botas
Descansando quietas
No mesmo chão de quartel

As miragens de glória
A mesma conduta
E os sorrisos de papel

As velhas lutas
Os mesmos direitos
A mesma explosão

A mesma fortuna
Valiosa permuta
De notas em vão

O mesmo espírito
De aspirar horizontes

Novo modo antigo
De beijar
A face a boca
Da solidão

O velho andar pra frente
Um antigo respirar
Em um plano de fundo ausente
Uma nova maneira de usar
A velha visão.