quinta-feira, agosto 20, 2009

Devoto Tempo

Eu devoro o tempo
Tenho fome, tenho pressa
Meu alimento

Meu devoto tempo
Escorre-me horas

Pelas mãos

Limpo os dias
Na toalha da mesa

Sabor de fruta
De maquina
Gosto de duvida
Sabor de dor

Eu descasco o minuto
Segundo por segundo
Milésimos pelo corpo

E o tempo que levo
Enquanto rumino o tempo
É o tempo que leva
Para ele
Devorar-me por dentro.

quinta-feira, julho 16, 2009

Musas no chão de Asfalto

Quem dera ter-me calado
Naquela hora

No passado

Quando declamei palavras
Que caíram no chão

Então a imagem das musas
Surgiram
Despejando
Por meio de beijos e lábios

As palavras
De volta para minha boca

Crua

Senti-me inebriado
Pelo gosto do vinho

Excitado
Pelo suave enlace
Da musa

Nua

Recitei o poema em voz alta
Sem medo do meu coração
Escorrer pelos olhos

Quando parei
Não havia mais ninguém

De noite o mundo muda
As pessoas mudam
Disse a Musa

Fiquei assim
Em silêncio sem saber
Como respirar
Pois era noite
E já não era o mesmo

E logo ali no bar
Disse-me a Musa
O mundo muda
E quando saímos do lugar
Sempre se deixa algo pra trás
E se leva algo consigo

Como um sorriso
Junto de uma espécie de Saudosismo

Peguei-me desconcertado
Pelo meu estado de espírito

Não sabia se era loucura
Ou se realmente tudo aquilo
Fazia algum Sentido

Foram-se as musas
Entre os prédios
Altos do mundo fogo

Pelas ruas de asfalto gelado
No céu negro onde
Lá no alto
Um planeta desponta

Quando voltei a mim
Estava parado e só
Olhava admirado
O céu
Com cigarro, conhaque e só
Contemplando
Vênus

E nada mais importava.
Apenas.
Vênus

quarta-feira, maio 06, 2009

Simetrico

As cadeiras simétricas
Que desencadeai metros
Em padrões de miragem

A Alma frenética
Em transe discreto
Nos catetos do teto

Tanto toque
Quanta a retórica
E o agrave do beijo
O corpo estático

O ângulo Agudo da vaidade
Os labios se travam na face

Seus braços se entregam de perto
As pernas se entrelaçam no ego
O espírito se encharca na pratica

Os olhos se retiram da orbita
Os dedos retraem-se no lençol

A carne da metade da discórdia
Entrando em caso com a razão

Entre delírios e suspiros
Tanto contexto e alivio
E o retorno da visão

O corpo em pedaços
O espírito impecável
E as pupilas
Dilatam-se no pecado

Do antes em flertes com o presente
E as simetrias que insinuam interesse

Entre o descaso com o estado do mundo
Realidade trincada em atos
Do prazer e a indiferença de tudo.


quarta-feira, março 11, 2009

Construções III

Sol, vento
Chuva La longe
Arco-íris aqui perto

Rua, calçada, poste
Buraco, possa, lixeira
Placa, faixa e farol

Espera
Carro, moto com pressa
Espera

Faixa
Carro rosnando do lado
Gente vindo de frente
Esquiva
Calçada, passos em alerta
Trovão que anuncia

Claridade de nuvem escura
Sol na montanha lá longe

Um pingo na cara
Outro no braço

Gota por gora
Passo por passo

Passos leve
Chuva pesada

Gente correndo
Guarda-chuva armado

Carros com pára-brisas ligados

Trovão que retorna
Toldo lotado
Altos murmúrios isolados

Possas no chão

Bueiros gargarejando
Meio fio desgovernado

Cães ligeiramente indiferentes

Pés molhados
Roupa encharcada

Água feito chuva
Pessoas feito açúcar

Espera
Luz que retorna de leve
Espera

Calma nas ruas
Gente andando

Ar úmido
Chão de asfalto molhado
Primeira estrela desponta

Restos de nuvens cansadas
Sol da tarde manchado
Em céu de Picasso


terça-feira, março 03, 2009

Construções II


Flores com sono
campo com vento
Morro em silencio
Casebre e varanda

Arvore cantando
Criança correndo
Formigueiro em alerta
Rio que sustenta

Manhã de bruma
Tarde de sol
Noite de umbra
Cama e lençol

Café na mesa
Corpo e batente
Silhueta nos olhos
Tom de amarelo

Som de outono
Janelas com vento
Cortina que dança
Sala, sofa
Luz de manteiga

Boca de beijo
Abraço de corpo

Corpo na grama
Grama nos pés
Equilibrio na fonte

Dia entardecer
Tarde Anoitecer

Passaro voltando
Luz acesa
Começo de noite

Porta fechada
Luz pra sacada

Pés descalços, vinho e tapete.

De perto musica ambiente
de longe
Um Silencio engraçado.