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Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Buzinas

Buzinam e buzinam e as sirenes não cessam!
O barulho perturba o meu sono e os meus sonhos!
As luzes não param de girar em volta do meu corpo
E as palavras de "pare!" gritam nos altos falantes e nos mega fones

A onde está a velha musica que era pra dentro
E o canto dos pássaros que é de dentro pra fora
Como tem que ser, pois não poderia fazer diferente

Mas não! Insistem nas buzinas e nas sirenes!
Apelam para nossas famílias
E nosso sangue do dia-a-dia!
Vestem Satã com as roupas de um Deus morto

Na até então calada da noite
Os gritos de alerta gritam na cabeça de todos

"É CADA UM POR SI!"

E o toque de recolher vem cedo
No primeiro tapa sacana do médico viciado

E entrega com as mãos mais limpas que a consciência do mundo
Um recém nascido nos braços de uma mãe em torpor

É proibido buzinar nos hospitais
Mas até lá já são buzinas de mais

E o ruído do mundo permanece
Mesmo em todo aquele silencio surdo

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Enquanto isso...

Parece que as coisas estão diferentes
Um pouco de tudo e mais um tanto de nada

O ar da noite está esquentando
A luz da lua esta brilhando mais forte

O vento sopra com um sorriso de Maquiavel
E a chuva molha como um abraço de Sade

Os pés pisam pesado
Naquele mesmo chão de asfalto
Lembra?
Esquece

La de cima elas olham
Dos becos sussurros
Chamam baixinho

Não HA como evitar

Um Cheiro salgado de pele e suor
Como um doce que a saliva derrete

Na boca no queixo
Pelo pescoço
E o caminho que segue
São insinuações de fome
Que não cabe na boca

E come com os cantos dos olhos
E observa com as mãos

Com o espírito vestido de vermelho
E a moça com copas nas mãos
Só sobra então
Paus

As coisas estão mesmo diferentes
o corriqueiro caiu no mundo
Sentiram algo em suas calças
E o chamaram de Herói

O bueiro, soturno
Gargareja gargalhadas
Altas que saem de todas as bocas
Cheias de línguas e dentes

Põe o óculos

La vem o sol
La vem de novo

La vem à sobriedade e a ressaca
La vem, não tem como fugir
Ta tudo dentro da cabeça
Tudo foi posto lá propositalmente

Mas o Pudor, não tem.
Nem deve
Nada a ninguém

O espelho é problema de cada um
Saca?

Quinta-feira, Agosto 20, 2009

Devoto Tempo

Eu devoro o tempo
Tenho fome, tenho pressa
Meu alimento

Meu devoto tempo
Escorre-me horas

Pelas mãos

Limpo os dias
Na toalha da mesa

Sabor de fruta
De maquina
Gosto de duvida
Sabor de dor

Eu descasco o minuto
Segundo por segundo
Milésimos pelo corpo

E o tempo que levo
Enquanto rumino o tempo
É o tempo que leva
Para ele
Devorar-me por dentro.

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Musas no chão de Asfalto

Quem me dera ter me calado
Naquela hora

No passado

Quando declamei palavras
Que caíram no chão

Então a imagem das musas
Surgiram
Despejando
Por meio de beijos e lábios

As palavras
De volta para minha boca

Crua

Senti-me inebriado
Pelo gosto do vinho

Excitado
Pelo suave enlace
Da musa

Nua

Recitei o poema em voz alta
Sem medo do meu coração
Escorrer pelos olhos

Quando parei
não havia mais ninguém

De noite o mundo muda
Agente muda
As pessoas mudam
Disse a Musa

Fiquei assim
Em silencio sem saber
Como respirar
Pois era noite
E já não era o mesmo

E logo ali no bar
Disse-me a Musa
Agente muda, o mundo muda
E quando saímos do lugar
Sempre se deixa algo pra trás
E sempre se leva algo consigo

Como um sorriso
Junto de uma espécie de Saudosismo

Peguei-me desconcertado
Pelo meu estado de espírito

Não sabia se era loucura
ou se realmente tudo aquilo
Fazia algum Sentido

Foram-se as musas
Entre os prédios
Altos do mundo fogo

Pelas ruas de asfalto gelado
No céu negro de onde
La no alto
Um planeta desponta

Quando voltei a mim
Estava parado e só
Olhava admirado
O céu
Com cigarro e conhaque
Contemplando. Só.
Ven.u.s...

E nada mais importava.
Apenas.
Venus

Quarta-feira, Maio 06, 2009

Simetrico

As cadeiras simétricas
Que desencadeai metros
Em padrões de miragem

A Alma frenética
Em transe discreto
Nos catetos do teto

Tanto toque
Quanta a retórica
E o agrave do beijo
O corpo estático

O ângulo Agudo da vaidade
Os labios se travam na face

Seus braços se entregam de perto
As pernas se entrelaçam no ego
O espírito se encharca na pratica

Os olhos se retiram da orbita
Os dedos retraem-se no lençol

A carne da metade da discórdia
Entrando em caso com a razão

Entre delírios e suspiros
Tanto contexto e alivio
E o retorno da visão

O corpo em pedaços
O espírito impecável
E as pupilas
Dilatam-se no pecado

Do antes em flertes com o presente
E as simetrias que insinuam interesse

Entre o descaso com o estado do mundo
Realidade trincada em atos
Do prazer e a indiferença de tudo.