quinta-feira, julho 16, 2009

Musas no chão de Asfalto

Quem dera ter-me calado
Naquela hora

No passado

Quando declamei palavras
Que caíram no chão

Então a imagem das musas
Surgiram
Despejando
Por meio de beijos e lábios

As palavras
De volta para minha boca

Crua

Senti-me inebriado
Pelo gosto do vinho

Excitado
Pelo suave enlace
Da musa

Nua

Recitei o poema em voz alta
Sem medo do meu coração
Escorrer pelos olhos

Quando parei
Não havia mais ninguém

De noite o mundo muda
As pessoas mudam
Disse a Musa

Fiquei assim
Em silêncio sem saber
Como respirar
Pois era noite
E já não era o mesmo

E logo ali no bar
Disse-me a Musa
O mundo muda
E quando saímos do lugar
Sempre se deixa algo pra trás
E se leva algo consigo

Como um sorriso
Junto de uma espécie de Saudosismo

Peguei-me desconcertado
Pelo meu estado de espírito

Não sabia se era loucura
Ou se realmente tudo aquilo
Fazia algum Sentido

Foram-se as musas
Entre os prédios
Altos do mundo fogo

Pelas ruas de asfalto gelado
No céu negro onde
Lá no alto
Um planeta desponta

Quando voltei a mim
Estava parado e só
Olhava admirado
O céu
Com cigarro, conhaque e só
Contemplando
Vênus

E nada mais importava.
Apenas.
Vênus

9 comentários:

pá. disse...

"há certas coisas que não haveria mesmo ocasião, de as colocarmos sensatamente numa conversa - e que só num poema estão no seu lugar. Deve ser por esse motivo que alguns de nós começaram, um dia, a fazer versos. Um modo muito curioso de falar sozinho como se vê. Mas o único modo de certas coisas cairem no ouvido certo."

Limites da conversação.

[perdi o ar, pela segunda vez!]

Katrina disse...

Sem medo do meu coração
Escorrer pelos olhos


genial!

Don Minnemann disse...

O problema é sentir-se desconcertado por seu estado de espírito caso ele seja resultado de vida e curiosidade, falta de medo e vergonha de abrir novos horizontes com o que for preciso, neve ou grama,música ou palavras soltas. É um problema sentir-se desconcertado porque ai é que percebe como musas são diferentes e vagam de|Medusas à Helenas.

Lua disse...

O coração sempre escorre pelos olhos. Concordo com tudo

Rafael Lizzio. disse...

As Musas sempre nos vêem do alto.

sou eu.. Luana disse...

Escreve muito bem, não conhecia esse seu dom rs bjao

mvizquierdo disse...

Parabéns!!

Bárbara disse...

Algum dia farei um curta-metragem com essa história.
Deixa que Venus nos tome conta..

pá. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.