quarta-feira, agosto 08, 2007

Ravior Rimbaund Beleare

Dispara tiros mudos no restaurante, sobre a acústica ressonante de uma opera.
Gritos vazios sem som, e corpos tombando, sobre mesas fartas de comidas caras.
Apenas a opera em cena musical. Regozijos de dor eram nulos.
Ravior frio como os pólos, busca a cozinha.
O espanto paralisante do cozinheiro francês, inerte, sentindo a bala trespassando seu coração. As duas pequenas ajudantes choram e gritam, em companhia da cantora de opera, tudo tão lento e triste. Tentam em vão correr o mais rápido que podem, em busca de um lugar seguro. Mas não existe lugar seguro para Ravior.
Seus corpos caem no chão com murmúrios de vida e anseios não realizados, pois a partir daquele momento, os anjos a buscam soprando trombetas.
Ravior, por um momento, para, pra apreciar as trombetas tristes da opera.
Ajeita elegantemente seu terno com riscas vermelhas, e abaixa seu chapéu, guarda a sua arma.
Após acertar seus óculos, Ravior deixa claro.
Não deviam regular o queijo, os deliciosos queijos para o macarrão.

Um comentário:

Bárbara disse...

tudo tão interno.
Ravior é corajoso, eu teria medo (ou receio, tanto faz) de apreciar as trombetas tristes da opera.